O Ministério da Saúde (MISAU) procedeu, na manhã desta segunda-feira (19 de Outubro), na cidade de Maputo, ao lançamento do Roteiro Estratégico de Investimento para a Adaptação Climática em Moçambique 2027–2032, um documento que orienta a execução do Plano Nacional de Adaptação da Saúde às Mudanças Climáticas (PNAS-MC), lançado em Maio último.
Segundo a Ponto Focal Nacional de Clima e Saúde no Ministério da Saúde e investigadora do Instituto Nacional de Saúde, Tatiana Marrufo, o Roteiro estabelece as orientações de execução do PNAS-MC, apontando as fases, a sequência e as necessidades de financiamento existentes no sector, estimado em 234.41 milhões de dólares americanos.
Marrufo falou dos benefícios da implementação do Plano e vincou a necessidade de se investir na adaptação climática, explicando que várias evidências revelam que, se nada for feito em relação às mudanças climáticas, haverá um peso de cerca de 11,24 mil milhões de dólares para o sector da Saúde.
“O que fica claro é que vale a pena investirmos, porque, investindo 1 dólar, teremos um retorno de cerca de 7,07 dólares”, vincou, salientando que “todos percebemos o desafio em relação ao nexo ‘saúde e clima’, e principalmente o desafio de não fazermos nada em termos de acções de adaptação”.
O acto de lançamento do roteiro teve lugar durante a cerimonia de abertura da 3ª Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas na Saúde, acto testemunhado pelo Ministro da Saúde, Ussene Isse, profissionais de saúde, parceiros de cooperação, académicos, entre outros participantes.
Durante o debate, moderado pelo Director-geral do INS, Eduardo Samo Gudo, a directora Nacional do Ambiente e Mudanças Climáticas no Ministério da Agricultura, Ambiente e Pescas, Sónia Muando, destacou que o roteiro vem responder ao PNAS-MC, que define cerca de 45 acções prioritárias, facto que representa um trabalho que deverá ser estruturante, pelo que é preciso investir de forma holística e não isolada.


Por sua vez, o Director Nacional de Planificação e Cooperação no Ministério da Saúde (MISAU), José Manuel, defendeu a necessidade de o sector da Saúde se adaptar às mudanças climáticas de forma a garantir-se a continuidade da provisão dos cuidados de saúde, durante os eventos climáticos.
“Nós, como Ministério da Saúde, em colaboração com os outros sectores, olhamos para este Plano, assim como o Roteiro, como o caminho que tem de ser seguido.
O chefe do Departamento de Análise de Políticas e Estratégias Climáticas no Ministério da Planificação e Desenvolvimento, Miranda Miguel, defende que o Plano seja acompanhado por uma carteira de projectos concretos e prontos para financiamento.


Sara Saija, especialista em Saúde no Banco Mundial, sublinhou que Moçambique já fez um grande trabalho e está muito adiantado em relação a vários países. Ela aponta que o desafio é executar bem o plano. Neste contexto recomenda que o plano seja financiado como um todo e que a liderança seja levada até ao último nível.
O lançamento do Roteiro teve lugar durante a III Conferência sobre o Impacto das Mudanças Climáticas no Sector da Saúde, que decorre de hoje até amanhã, juntando investigadores, tomadores de decisão, profissionais de saúde, parceiros nacionais e internacionais, a sociedade civil e o sector privado.


